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27/08/2015 às 00:00
Convivência

"A nossa Doutrina é de paz. Falando francamente, não entendo tantas dissenções entre os companheiros. Deveríamos guardar maior silêncio, para que as nossas atividades internas corressem melhor..."

F. C. Xavier, in "Orações de Chico Xavier", de Carlos Baccelli

 

Conviver é nitidamente o exercício de "amar ao próximo como a si mesmo", eis a nossa grande dificuldade. Tal como uma academia, onde dispomos de aparelhos para treinar e fortificar nossos músculos, a convivência nos coloca em ambientes adequados, com os "aparelhos" necessários, indispensáveis, à prática do nosso exercício. Ainda como nas academias, onde ocorrem torções, estiramento de tendões, e outras dificuldades, nas academias da convivência também temos os problemas decorrentes do exercício: melindres, dor aguda na auto estima, maus humores, rispidez, personalismo...

Quais são as principais academias da convivência? Poderíamos dizer que toda a Terra é o grande espaço da escola da convivência, onde podemos exercer, ainda que a distância, a solidariedade para com os flagelados de todas as catástrofes. Mas isto não é amor, não é caridade, não é convivência. O amor, a caridade, a convivência implicam em envolvimento, que não ocorre nesse caso, pois apenas disponibilizamos algo que alguém irá entregar ao necessitado, enquanto continuamos tranquilos em nosso sofá vendo a notícia pela TV. O palco do exercício regular, sistematizado, da convivência é todo aquele espaço que nos coloca juntos aos nossos "aparelhos", especialmente o nosso lar, o nosso ambiente de trabalho, a nossa casa religiosa. Justamente, nesses locais, a proximidade traz o envolvimento, e evidencia as nossas qualidades e imperfeições.

Disse o Mestre de Luz em seus ensinamentos que seus discípulos seriam conhecidos por muito se amarem. Como demonstraremos esse amor? Serão necessárias grandes obras, curas miraculosas, doações espetaculares para que demonstremos nosso amor? Sabemos que não. Sabemos também que gestos simples, praticados no dia a dia, demonstrando atenção, carinho, fraternidade, ao final de uma vida constituirão a nossa grande obra, ao percebermos o grande número de pessoas a nos sorrir confiantes em nós. Sabemos que servir mais que ser servido, que exigir menos e fazer mais, que tolerar, compreender, ouvir, perdoar são ferramentas indispensáveis para conviver bem. Contudo jamais poderemos utilizá-las se não dispusermos do armário da humildade para acondiciona-las. Amabilidade, cortesia, gentileza, alegria, cordialidade são temperos indispensáveis a um ambiente agradável e sadio. Mau humor, rispidez, falta de educação, maledicência ou fofoca, agressividade no falar, imposição de opiniões ou autoritarismo são componentes desagregadores e separadores.

"Sociedades espíritas fraternas só serão construídas por homens e mulheres mais dóceis e cordiais, mais confiantes e afáveis, mais amigos e amáveis." "Amar é uma aprendizagem. Conviver é uma construção". Estas palavras nos são ditas por Ermance Dufaux, médium da codificação, no livro "Laços de Afeto", psicografia de Wanderley S. de Oliveira. Que sejamos capazes de olhar para nosso próprio interior e nos conscientizarmos de que somos nós os responsáveis por iniciarmos essa convivência de paz, de amor que tanto almejamos. Os erros e defeitos dos outros, em nosso ponto de vista, são os pequenos e grandes obstáculos que precisamos vencer para que a convivência plena de recompensas possa de fato existir. Só assim poderemos ser os discípulos que se amam conforme vaticinou Jesus.


João Machado

Grupo Espírita à Caminho da Luz



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